As alergias nas diferentes estações do ano
Por. Dra. Adriana Schmidt

  • Quais são as principais alergias da pele que aumentam durante o inverno e quais são os seus sintomas?

O ressecamento excessivo, que pode ser causado ou agravado com o uso de sabonetes, banhos quentes ou demorados (o que é bem comum no inverno). Também a Dermatite atópica, alergia de pele comum na infância mas que pode acometer todas as faixas etárias, é caracterizada por uma pele que, além de ressecada, é inflamada, e apresenta áreas irritadas, vermelhas e que coçam muito, especialmente nas regiões quentes do corpo ( dobras dos braços e pernas, axilas e virilhas). Nos bebês acomete mais as bochechas.

  • Que fatores levam à maior incidência dessas alergias durante a estação fria?

Os banhos quentes e demorados, o uso de roupas sintéticas, que dificultam a ventilação e podem irritar pelo atrito. A maior permanência das pessoas em ambientes fechados, a utilização de tapetes, cobertores, mantas, casacos que ficaram guardados desde a última estação também podem desencadear crises nos pacientes alérgicos (podem conter ácaros e fungos que são sensibilizantes)…

  • Que cuidados podem ser tomados para evitar as alergias da pele nessa época do ano?

Banhos não tão quentes, mais rápidos, e o uso restrito de sabonetes ( todos agridem a pele, em maior ou menor escala). É importante a aplicação de hidratantes logo após o banho, com a pele ainda úmida, desta maneira, a água que penetra nas camadas superficiais da pele durante o banho é retida (a evaporação desta água é que dá aquele ressecamento, fazendo com que a pele fique“ repuxada” depois do banho). E aos alérgicos, reforço nas chamadas medidas de controle ambiental , visando reduzir os seu contato com os alérgenos. No caso dos ácaros (cuja sensibilização é frequente), manter a casa arejada, ventilada, sem muitos objetos que acumulem pó, lavar as roupas de cama semanalmente com água quente, substituir cobertores por edredons, lavados com maior frequência e com água quente para inativar os alérgenos, são medidas bastante interessantes. E animais de pelos e pelúcia, tapetes e cortinas pesadas, nunca no quarto (por ser o ambiente em que passamos boa parte do tempo, cerca de 8h ou mais ao dia, deve ser o ambiente mais cuidado)

  • E no aspecto respiratório? Que tipo de alergias são mais comuns?

Os quadros de asma ou rinite desencadeados por ácaros, fungos e mudanças de temperatura ou umidade também tem um pico nestes meses mais frios do ano. A rinite é caracterizada por sintomas nasais incômodos de obstrução, espirros, prurido e coriza, e é um dos fatores que predispõe a maior frequência de quadros virais, a sinusite e quadros de tosse. A asma se caracteriza por episódios repetidos de tosse, chiado ou falta de ar.

  • E na primavera, o que muda em relação às alergias? Quais são mais comuns e por quê?

Na primavera, a campeã das alergias sem dúvida é a rinite devido aos pólens – também chamada rinite sazonal ou polinose. È um quadro bastante agudo, com comprometimento principalmente do nariz e dos olhos, que costuma ser bastante intenso, especialmente nos dias mais secos do ano ( pela maior aerossolização dos alérgenos dos pólens, que vão pelo ar atingir as vias respiratórias) . O nariz fica bastante trancado, há uma coriza abundante e líquida, crises de espirros e uma coceira (prurido) intenso no nariz, olhos, e algumas vezes também nos ouvidos e garganta. Chama a atenção os sintomas oculares intensos, com inchaço, vermelhidão e lacrimejamento, sem contar o prurido, que é bastante desconfortável.
Não deve ser esquecida a fotoproteção diária, mesmo nos dias frios e nublados, uma vez que os raios UVA estão associados a claridade e não necessariamente ao sol forte – sem contar que, em dias de sol, as pessoas andam mais pela sombra, e em dias nublados temos a falsa sensação de que não há raios – engano: eles estão lá. O uso de Filtros solares com proteção UVA, reaplicados ao menos uma vez ao dia é fundamental, mesmo nos dias de frio em que vamos permanecer em ambientes fechados. Quem vai pra cidades onde neva, deve ter atenção redobrada – a neve reflete os raios luminosos e pode potencializar os danos causados por eles – na neve, comporte-se como na praia – abuse dos filtros nas regiões expostas de pele e reaplique a cada 2 horas!
Também os cosméticos usados nesta época do ano são diferentes dos utilizados no verão – a pele apresenta maior necessidade de hidratação, e o uso de cremes emolientes e cosméticos hidratantes ajuda a amenizar aquele ressecamento e mesmo queimaduras produzidas pelo vento e frio excessivo. Também o inverno é a época propícia para intensificar os tratamentos faciais, sendo ideal para fazer tratamentos com ácidos e despigmentantes, especialmente os peelings – aproveitem a melhor época!
Muitos pacientes com rinite, que usam medicações apenas nas crises durante o verão, podem, no inverno, devido a todas as alterações climáticas e um maior contato com alérgenos, ter necessidade do uso contínuo de medicação preventiva – sofrer por alergias, que são patologias perfeitamente tratáveis e cujas medicações apresentam elevados perfis de segurança, hoje em dia, é injustificável, pois as pesquisas médicas tem andado a passos largos nesta área, com o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais eficazes – e seguros! Tanto para o tratamento de manchas, rugas, fotoenvelhecimento, alergias de pele quanto para os quadros de rinite e de asma, mesmo para crianças pequenas, gestantes e idosos – hoje em dia estas condições de pele e alergias são consideradas doenças traváveis – e preveníveis!

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