A alergia ocorre em cerca de 10 a 30% da população Brasileira, e costuma ser mais frequente na infância, especialmente as alergias respiratórias (rinite e asma), e tem aumentando consideravelmente o número de alérgicos. O aumento é observado mais na cidade do que no campo – as pessoas vivem em ambientes “esterilizados” e consomem alimentos “pasteurizados”. Com isso, são menos expostas a vírus, bactérias e outros agressores. Já que o ambiente não estimula suas defesas, seu sistema imunológico, por uma predisposição genética, acaba se voltando contra substâncias como ácaros, animais e mofo, e a maior permanência em ambientes fechados, acarpetados e menos vida ao ar livre acaba expondo mais os indivíduos a estes agentes.
Também contribuem para o aumento das alergias a poluição e a exposição passiva ao tabaco ( por exemplo, quando familiar da criança fuma é um fator de risco importante para o desenvolvimento de asma nas crianças Brasileiras, conforme estudos recentemente) e o fumante, seja ele ativo ou passivo, está muito mais exposto a uma série de doenças, entre elas as respiratórias. Em Curitiba, temos temperaturas propícias para o desenvolvimento de ácaros, menos dias de sol, umidade do ar elevada em dias de chuva que são frequentes no outono-inverno, e mudanças bruscas de temperatura – todos estes fatores levam a uma maior incidência de quadros respiratórios alérgicos. Muitos de nossos pacientes, que moravam em outras cidades mais quentes e ensolaradas, queixam-se que os sintomas começaram – ou se agravaram – quando que se mudaram para Curitiba. É sem dúvida uma cidade de alérgicos (por isso nossos consultórios estão tão lotados especialmente no outono e inverno).
O que acontece no ambiente intradomiciliar:
O exame dos ambientes intradomiciliares sugere que os ácaros oriundos da poeira doméstica (que é aquela cinza clara que se acumula nos cantos, nos estrados de cama, embaixo e atrás de armários, por exemplo)l alérgenos de gatos, e resíduos de barata são os desencadeantes mais comuns de doenças alérgicas nestes ambientes, e a exposição a outros animais domésticos, fungos e irritantes respiratórios como a fumaça de cigarro também seriam um problema nestes ambientes.
Tanto os fungos como os ácaros se desenvolvem em ambientes com pouca luminosidade e alta umidade – eles são muito sensíveis a luz, motivo pelo qual não permanecem na superfície e tendem a ficar escondidos no interior de bichos de pelúcia, almofadas, nos tapetes e carpetes – porque os mantém mais afastados de luminosidade e proporciona alimentação (restos celulares, e detritos acumulados no caso dos ácaros) e proteção. Algumas toxinas de bactérias também podem desencadear ou agravar estes quadros alérgicos e elas se desenvolvem nestes ambientes.
Particularidades dos ácaros: a respiração e troca de vapor de água ocorre através de sua superfície corpórea, sendo assim eles são sensíveis a decréscimos de umidade e a temperaturas extremas. O uso regular de umidificadores levam a maior sobrevivência dos ácaros. Os ácaros não sobrevivem em ambientes que estejam com umidade relativa inferior a 50% (porém as partículas fecais e resíduos de ácaros mortos continuam a sensibilizar por longos períodos). Eles se alimentam de escamas microscópicas de pele de pessoas e animais, que existem em grande concentração nos travesseiros e colchões, carpete e móveis estofados. Níveis de ácaros de 2microgramas por grama de poeira são capazes de induzir a uma sensibilização ( isto é, tornar alérgico um indivíduo predisposto), enquanto a exposição a níveis de 10 microgramas por grama de poeira podem desencadear sintomas.
Mostro abaixo uma fotografia ampliada ( microscópica) de um dos principais ácaros que causam alergias, os Dermatofagóides
Em indivíduos predispostos (que tem a ver com a “ bagagem” genética ou hereditariedade) a exposição a estes fatores está diretamente ligada a sensibilização e ocorrência de sintomas. Em indivíduos não –predispostos, fatores relacionados aos contaminação do ambiente e especialmente poluição (fumaça, detritos químicos, poluentes ambientais, etc, ou mesmo poeiras em excesso) podem provocar sintomas respiratórios semelhantes aos quadros alérgicos, porém nos pacientes alérgicos o quadro costuma ser mais grave e de evolução mais arrastada.
Especialmente nos indivíduos com história familiar de alergia respiratória, são recomendáveis medidas para evitar o contato com os alérgenos pois eles podem se sensibilizar com maior facilidade – a predisposição genética aliada a exposição aos alérgenos é o terreno fértil para o desenvolvimento da alergia, especialmente em crianças maiores e adultos. Mais o controle ambiental não deve ser indiscriminado ou impor medidas restritivas a vida da pessoa a não ser que haja comprovação clínica, de preferência complementada pelos testes alérgicos realizados por médicos Alergistas e sob orientação dos mesmos.
Tem mais alguma orientação, dica ou gostaria de comentar algum ponto que não tocamos?
Em relação a agentes encontrados em construções úmidas que podem ter um papel maior no desencadeamento de asma, estão os fungos ( vulgarmente conhecidos como “ mofo” ) antígenos de algumas bactérias -alguns fungos como o Cladosporium, Alternaria, e endotoxinas (toxinas bacterianas), encontrados em ambientes úmidos foram associados ao desenvolvimento de asma em adultos.
A literatura médica em asma e sua relação com ácaro ou alérgenos de barata é recente, e já antes disso a umidade era tida como um fator de risco para a saúde, independente de predisposição alérgica. Foram encontradas evidências da associação entre a exposição a ambientes úmidos com sintomas de tosse e sibilância ( chiado no peito) em pacientes asmáticos.
Tanto os ácaros quanto os fungos se desenvolvem em ambientes úmidos, e esta é uma razão a mais para evitar umidade especialmente nos pacientes alérgicos.
Importante no planejamento de uma obra ou reforma é o desenvolvimento de métodos sustentáveis que assegurem a seus ocupantes uma qualidade de ventilação adequada, com acabamentos que não emitam químicos ou poluentes, e com materiais e mesmo móveis que tenham uma boa resistência aos fungos. O uso de materiais não poluentes e que utilizem menos energia elétrica, sejam duráveis e recicláveis e recomendável tanto para ambientes de trabalho quanto residências. É muito importante também como os ocupantes vão mantê-los.
Quando se usa ar- condicionado, por exemplo, é muito importante se fazer a manutenção dos mesmos e a limpeza frequente dos filtros, que quando contaminados podem expor os ocupantes a uma série de doenças, de natureza alérgica ou não.
Um ambiente arejado e ventilado, com poucos objetos que acumulem pó e detritos, e livre de resíduos químicos ou poluentes, com materiais de reduzida susceptibilidade a contaminantes como fungos e bactérias deveria ser adotado, com produtos aprovados para tal fim seria mais saudável para todos, alérgicos e não alérgicos!
E ambientes limpos e organizados, livres de ruídos, com boa insolação e ventilação, com boa visibilidade e iluminação, sem “ amontoados” ou objetos depositados acumulando pó e detritos, bem conservados, são muito mais agradáveis e ajudarão sem dúvida a melhorar a qualidade de vida dos seus ocupantes, certo?
Adriana Schmidt

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>