Adriana Vidal Schmidt – Departamento de Alergia e Imunologia da SBP, texto esxrito pra o Portal da Sociedade Brasileira de Pediatria em 2012

A rinite alérgica é a doença crônica da mucosa do nariz de maior prevalência entre adultos e crianças, acometendo de 10% a 25% da população mundial. Esta doença diminui a qualidade de vida das crianças, afetando o desempenho social, escolar e profissional (estima-se que 60% das faltas estejam relacionadas às doenças respiratórias e que uma porcentagem considerável delas se deva à rinite alérgica). A rinite alérgica é uma causa frequente de consultas com pediatras, alergistas, otorrinolaringologistas e pneumologistas, pois é uma doença que pode afetar todas as vias aéreas, não se restringindo somente ao nariz. A associação com outras doenças, como asma, sinusites, otites, polipose nasal e a respiração oral ressalta ainda mais o seu impacto socioeconômico e na saúde das crianças.
A rinite alérgica é caracterizada pela presença de sintomas nasais (espirros seguidos ou em crises, coriza aquosa, obstrução e prurido ou coceira), que surgem após exposição aos alérgenos (poeira, ácaros, baratas, fungos, caspas de animais como cão e gato, polens), aos poluentes ambientais (como fumaça de cigarro), mudanças bruscas de temperatura ou até de forma contínua nos casos mais graves. Infecções virais também podem desencadear ou agravar crises alérgicas.
A rinite alérgica apresenta uma forte influência genética e hereditária, sendo mais frequente quando os pais são alérgicos Não tem predileção por sexo ou raça e pode iniciar em qualquer idade, embora seja mais comum na infância e adolescência (em 80% dos casos inicia antes dos 20 anos de idade).
Nas crianças a respiração oral crônica, além de interferir com as atividades diárias e o sono pode predispor à maior frequência de amigdalites, faringites, otites e sinusites, podendo também causar alterações no crescimento craniofacial, que se processa nesta fase.
O tratamento é feito com medicações que controlam a inflamação da mucosa nasal por longos períodos, aliados aos cuidados de controle ambiental, que consistem no afastamento dos alérgenos aos quais o paciente encontra-se sensibilizado (estes alérgenos podem ser identificados através dos testes alérgicos realizados em consultório pelos médicos alergistas). O uso de antialérgicos pela via oral também pode ser indicado nas crises ou em associação com os corticóides nasais nos quadros mais graves. Quando estas medidas falham, ou o paciente depende do uso contínuo de medicações ou tem dificuldade com o uso contínuo da medicação e, se confirmada a sensibilização aos alérgenos, a imunoterapia (vacinas para alergia) pode ser indicada. Entretanto é importante reforçar que as medicações devem ser prescritas apenas por médicos, não sendo, de forma alguma, utilizadas sem orientação médica.
A rinite alérgica deve ser corretamente diagnosticada e tratada, pois com as alternativas terapêuticas disponíveis na atualidade, pode-se oferecer aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida e diminuindo significativamente os efeitos colaterais pelo uso das medicações.
Se o seu filho apresenta obstrução nasal frequente ou persistente, respira pela boca, apresenta roncos noturnos, coça o nariz, os olhos e/ou ouvidos, tem crises de espirros ou o nariz escorre o tempo todo, tem lacrimejamento ocular e se apresenta, além do prurido, olhos vermelhos e edemaciados (inchados), ou tosse persistente ou em crises, dores de cabeça ou mesmo “resfriados” que demoram a melhorar, procure um médico Pediatra. Ele é o melhor profissional para orientar os pais sobre o estado de saúde de seus filhos, que deve ser acompanhado em consultas periódicas.
Se estas queixas respiratórias pioram ao contato com poeira, mofo ou objetos guardados é um indício que ele (seu filho) apresente alergia aos ácaros. Os ácaros são seres microscópicos que se alimentam de detritos da poeira e preferem ambientes com pouca luminosidade e elevada umidade. Aquela poeira acinzentada que é visualizada nos estrados de colchões e cantos das casas é rica em ácaros. Somente em um travesseiro já foram contados mais de 100 mil ácaros e estima-se que em colchões este número suba para milhões. Por isso a importância do uso das capas impermeáveis para colchões e travesseiros, entre outras medidas que citamos a seguir. E não resolve comprar colchões e travesseiros novos, pois em 3 a 4 meses já estarão cheios ácaros novamente. O contato com os ácaros e seus detritos é um dos responsáveis pela piora da rinite no período noturno.
As medidas mais comumente recomendadas pelos Pediatras para as crianças com alergia aos ácaros estão listadas abaixo:
Manter a casa arejada e ensolarada, evitar umidades ou vazamentos, ou uso abusivo de umidificadores de ar
Evitar o uso de carpetes, tapetes ou forrações, especialmente no quarto
Evitar móveis estofados ou objetos que acumulem pó – retirar bichos de pelúcia expostos (ensacar com plástico) assim como objetos amontoados
Retirar o pó com pano úmido, evitando vassouras ou espanadores, aspirar os colchões semanalmente
Colocar capas impermeáveis no colchão e travesseiro, limpas com pano úmido semanalmente e lavadas a cada 2-3 meses
Lavar roupas de cama semanalmente com água quente (acima de 50-60o C)
Evitar cobertores de lã – preferir edredons e lavá-los com frequência
Evitar cortinas pesadas, longas ou com muitas camadas de pano – preferir persianas verticais de PVC (limpas com pano úmido semanal)
Animais de pelos – mantê-los fora de casa e principalmente fora do quarto, nunca na cama
Alguns pacientes, especialmente adolescentes e adultos jovens, poderão apresentar sensibilidade aos pólens (antigamente denominada “febre do feno”). Os sintomas serão mais intensos nos meses de primavera e em dias secos e com vento, porque nestas situações os pólens se propagam com maior facilidade. Chama atenção nestes casos a presença de sintomas oculares importantes (olhos vermelhos, com lacrimejamento, coceira intensa nos olhos e pálpebras inchadas), além dos sintomas nasais da rinite. O tratamento medicamentoso nestes casos é semelhante ao da rinite por sensibilidade aos ácaros, e pode variar de acordo com a estação do ano e intensidade dos sintomas. O uso de colírios antialérgicos também pode ser indicado.
Os pacientes que apresentam sintomas eventuais não necessitarão de tratamentos preventivos ou de uso de medicação continuamente, e podem ser tratados somente durante as crises.
É muito importante salientar que o cigarro, a poluição, os odores fortes, outras poeiras e produtos químicos funcionam como irritantes primários ou mesmo tóxicos, isto é, agridem a mucosa respiratória independente de mecanismos alérgicos, e devem ser evitados.
O cigarro está claramente associado a uma série de doenças respiratórias na infância, pois os filhos de pai ou mãe fumante serão sempre fumantes passivos.
Leve regularmente o seu filho ao Pediatra e nunca forneça medicamentos a uma criança sem a orientação de um profissional médico. Na rinite, como em outras patologias que podem acometer as crianças, a automedicação deve ser evitada sempre, pois pode acarretar danos à saúde ou mesmo expor a criança a riscos desnecessários

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